A Experiência de ter um Filho em Nova York – parte 1

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Olá Pessoal!

Esse é um tema que estou para escrever faz tempo e só agora criei coragem 🙂 (não porque é um assunto que ainda me incomode, mas sim porque sabia que o papo seria longo). O meu objetivo com esses posts é contar como foi a minha experiência como grávida aqui, como o sistema de saúde funciona e, espero com essas informações ajudar alguém que precise de alguma luz em relação ao assunto.

Esse tema será dividido em 3 posts: um contando a experiência da minha primeira gravidez e o tratamento que eu recebi aqui por parte dos médicos, o segundo é sobre a gravidez do Lukinha e o terceiro é para contar sobre o parto. Então senta que lá vem história 😉

Decidi que queria engravidar em 2010 (assim que conseguimos o visto O-1 e O-3). Eu já estava com 34 anos e não queria demorar muito para ter o Lukinha (sim, eu já dizia que ia ter um menino e que seria Lukinha quando ainda namorava o Uka). Começamos o processo de “fabricação” e logo descobri que estava grávida. Primeiro fiz o teste de farmácia e no dia seguinte fui no Planned Parenthood Office (http://www.plannedparenthood.org/about-us/local-state-offices). Lá, eu também fiz o teste (gratuitamente) e foi confirmado: estava GRÁVIDA! O baby estava previsto para nascer no dia 2 de fevereiro de 2011 (dia do aniversário da mãe do Uka).

Estávamos morando no Brooklyn (Dumbo/Fort Greene) e optamos por uma clínica que ficava a 2 quarteirões de casa. Nessa época, eu não tinha plano de saúde e aqui não existe essa coisa de SUS: chegou e foi atendida gratuitamente. Contudo, quando você está grávida, qualquer que seja a sua condição imigratória, você pode se inscrever para conseguir um plano de saúde pago pelo governo (afinal, você  dará a luz a um cidadão americano). Esse plano cobre o pré-natal, parto e deixa de funcionar 3 meses após o parto.

Desde o início, não fomos bem tratados pela equipe médica do local escolhido para o pré-natal. Chegaram a dizer que o meu marido tinha clamídia e que tinha passado para mim. Ele foi ao médico da mesma clínica e o mesmo disse que a minha médica era louca. Como éramos muito ingênuos quanto a essa questão de saúde aqui nos EUA (e era mais fácil aquela clínica) optamos por continuar lá.

Contudo, na minha segunda consulta, enquanto ainda estava na sala de espera, percebi que algo estava errado. Fui ao banheiro e vi que estava começando a sangrar. Comecei a chorar e durante a consulta, a médica disse que era normal e, que se fosse para eu ter um aborto espontâneo (miscarriage) é porque meu bebê teria um problema e meu organismo estava no processo normal de “expelir” o embrião. Saí completamente arrasada de lá e decidida a procurar outro hospital. Isso era uma terça-feira.

Na quarta-feira, vi que o sangramento aumentou e fui a outro hospital (ainda no Brooklyn). Demorei para ser atendida e NÃO ME DERAM REMÉDIO NENHUM durante a minha estadia no PS. Tiraram meu sangue e fizeram um ultrasom. Me perguntaram de quantos meses eu estava (nessa época eu estava de 8 semanas, conforme aquela primeira clínica) e o médico disse que eu não deveria estar nem de 5. Me liberaram SEM DIAGNÓSTICO (um possível início de miscarriage) e nenhum remédio.

Passei a quinta-feira de repouso e na sexta decidi ir novamente ao mesmo pronto-socorro, pois o fluxo tinha aumentado consideravelmente. Novamente, a mesma coisa: nada de remédio e mais um ultrasom. Eu me lembro de estar revoltada, já que no Brasil os médicos costumam costurar o colo do útero das mulheres para que elas não percam o bebê. Hoje penso que talvez se eu estivesse fazendo tudo particular talvez o desfecho fosse diferente…mas também não posso ter certeza disso.

No sábado, passei o dia novamente de cama, com um fluxo aumentado e aí realmente entrei no processo espontâneo de expelir o embrião. Foi uma experiência terrível, principalmente porque eu estava em casa sozinha com o Uka e não queria voltar ao hospital no qual estavam me tratando tão mal.

Quando já era umas 10 horas da noite, decidimos ir a um TERCEIRO hospital do bairro. Este hospital era maior do que os dois primeiros e PARECIA mais bem equipado. Novamente, dei entrada no PS e o médico atestou que eu realmente tinha tido um aborto espontâneo. Precisei fazer exame de sangue (até aí eu já tinha contado 12 picadas nos meus braços), estava fraca, chorando muito e revoltada pelo tratamento que eu tinha recebido naqueles últimos dias. Me lembro do atendente (muito fofo) tentando me confortar e dizendo que ele havia passado por algo semelhante com a noiva dele, mas que ela tinha perdido o baby com 8 meses e que tiveram que fazer o parto para tirar o filho deles. Claro que isso é pior do que perder no início da gravidez, mas nem por isso essa história fez com que eu me sentisse melhor.

O médico me encaminhou para a curetagem (eu nessas alturas estava com uma dor insuportável) e me mandaram para outro andar. O local estava um caos, me colocaram numa sala e fizeram a curetagem SEM ANESTESIA OU QUALQUER ANALGÉSICO (apesar de eu ter pedido mais de 4 vezes). Eu via estrelas toda vez que a médica colocava a mão em mim e eu só queria sair correndo de lá e voltar logo para a minha casa.

Eu me lembro de ter passado o domingo e a segunda descansando para na terça-feira voltar as minhas atividades (já que as contas chegavam e não havia mais nada que eu pudesse fazer).

A minha médica disse que depois de 3 meses eu poderia tentar novamente, mas que ela me aconselhava tentar após os 6 meses, para ter mais certeza de êxito. CLARO que eu não queria esperar 6 meses e, aos 3 meses, a médica  (outra) me liberou para tentar novamente.

Estava super feliz e esperançosa de que eu teria mais uma chance 🙂

Marquei minha passagem para ir ao Brasil buscar meu visto e dias antes da viagem minha menstruação desceu. Fiquei chateada (já que da outra vez foi tão rápido o processo) mas decidi que aproveitaria a viagem e voltaria descansada para tentar novamente (nesta viagem, eu estava indo sozinha).

Cheguei no Brasil (em SP), fui fazer faxina na casa onde eu morava (era a casa da minha avó) e organizar todas as minhas coisas que ainda estavam lá. Fiquei sem comer direito os 4 dias em que estive lá, peguei muito peso e fiquei um caco de cansada.

Peguei o avião para Fortaleza (onde minha família mora atualmente) e, logo nos primeiros 10 minutos, com o calor que tava fazendo dentro da aeronave, eu comecei a passar muuuuito mal. O negócio foi tão sério que eu tive que voar de SP a Fortaleza sentada na cadeira da comissária, pois era de instante a instante indo ao banheiro para aliviar um enjôo que apareceu do nada. Até o comandante saiu da cabine e veio falar comigo para saber o que estava acontecendo. Agora, a vergonha que eu passei foi homérica: nesse dia, o avião estava cheio de psiquiatras indo de SP para Fortaleza pois haveria o Congresso Brasileiro de Psiquiatria lá. Váaaarios dos meus ex-chefes estavam nesse vôo. Eu me achei pagando um micão (porque eu não sabia o que estava acontecendo comigo) e estava morrendo de vergonha. Chegamos em Fortaleza e eu estava tão mal ainda que foram me buscar na aeronave de CADEIRA DE RODAS. Sim, isso mesmo! Eu não tinha forças para andar. Minha mãe disse que quando me viu, eu parecia uma folha de papel de tão pálida que eu estava.

Para encurtar a história (se é que isso é possível), depois de DEZ DIAS da minha chegada a Fortal, ainda passando mal e minha mãe achando que era tudo psicológico, decidi fazer o exame de sangue e o ultrasom e… SIM: eu estava grávida de quase 6 semanas 🙂

Lukinha estava vindo aí ❤

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4 thoughts on “A Experiência de ter um Filho em Nova York – parte 1

  1. Ai Cris, nem imagino o sofrimento de ter um abordo espontaneo. Mas é super normal na primeira gravidez né? Ouço muitos casos. Minha mãe teve um aos 28 anos, e logo depois também engravidou de mim. Ansiosa pelos proximos posts! Beijo

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  2. Verdade, que experiência ruim, mas pelo menos pode-se tirar algo de bom ni final, o baby 😀
    Agora parte 2.. super curiosaaaa

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