Intercâmbio nos EUA: fazer ou não fazer?!

Esta semana recebemos 3 mensagens de pessoas interessadas em informações sobre intercâmbios. Eu vim para NY como estudante, mas não sei ao certo se eu classifico isso como intercâmbio ou não 🙂

Há um tempo atrás, pedi para uma amiga (Ana Sasso) escrever sobre a experiência dela de intercâmbio aqui nos EUA. O post ficou bem bacana e espero que seja de grande valia para quem está pensando em fazer o mesmo que ela fez. Elaborei algumas perguntas e ela gentilmente respondeu a todas. O texto segue na íntegra!

Como foi a decisão de vir estudar nos EUA? Qual foi o seu planejamento? / Você foi estudar aonde queria inicialmente ou decidiu mudar de região por algum motivo (por exemplo, clima)?

Sempre quis fazer intercâmbio mas, pra falar a verdade, minha vontade inicial era a de realizar trabalho voluntário com animais selvagens na África do Sul. Sou fascinada pela cultura, pelo país e um dos meus sonhos é ter contato com elefantes (rs). Como tinha acabado de terminar a faculdade de jornalismo, meu pai sugeriu que eu procurasse algo mais “universitário” e ligado a minha área de atuação, então acabei escolhendo estudar Marketing na Universidade da California, em Irvine. Sobre planejamento, acredito muito em destino e na sincronicidade – as coisas acontecem na hora que tem que acontecer. Tenho um filho de 7 anos e, por questões emocionais, foi difícil tomar a decisão de ir e seguir em frente com ela. Mas quando dei o primeiro passo, me joguei sem olhar pra trás. Por isso, quando decidi o que queria, tinha só três meses para estudar/fazer o TOEFL e conseguir toda a papelada para enviar para a UCI. Sabia que não ia ser fácil, mas corri muito e tudo acabou dando certo, sem imprevistos.

 

Primeiro dia de aula: na escadaria da faculdade

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– Como foi a adaptação?

De início, o mais difícil pra mim foi a convivência. Eu, que sou filha única e nunca dividi nem o quarto, fui morar com mais três meninas, uma de cada canto do mundo. Morava com uma coreana, uma francesa e uma japonesa e o choque de cultura foi bem grande, pra todas nós. Enquanto a francesa e a coreana eram mais easy going, a japonesa era mais fechada e etiquetava com nome até a comida e os acessórios de cozinha dela, rs. Além disso, ela e a coreana tinham algumas manias chatas, tipo jogar lixo no chão ou deixar a louça por dias na pia… No começo foi bem difícil “acostumar” com isso. Mas com muita conversa as coisas foram melhorando.

 

A varanda do nosso apartamento, a bagunça das meninas e uma das etiquetas da japa 🙂

PicMonkey Collage

 

– Quais os pontos negativos e positivos do lugar escolhido?

Só vejo um ponto negativo: o transporte público demora muuuuito. O ônibus só passa de hora em hora então, sem carro, levava muito tempo para ir pra qualquer lugar. De Irvine pra Newport, que ficava só a 10 km de casa, a gente levava 3 ônibus e 2h! Hahaha.

Pontos positivos: As pessoas são muito educadas, conversam com você na rua, nas lojas… E sempre se mostram interessadas pelo Brasil. A cidade é muito segura, tanto que nem iluminação algumas ruas tem. E essa sensação de andar pela rua “segura”, não há o que pague!

 

– O curso valeu a pena? Por que?

Muito! Eu fiz o ACP de Marketing, na UCI, como falei. Desde criança, sempre quis ser jornalista e achava que era só isso que eu sabia fazer na vida. O curso abriu meus olhos para outras possibilidades que nunca havia imaginado. Tanto que, voltando para o Brasil, decidi cursar pós graduação em Branding, algo que me apaixonei no EUA e nunca imaginei estudar. Além disso, estudar em uma universidade fora do Brasil é completamente diferente do que imaginava: os professores estavam ali para realmente ensinar e ajudar os alunos – muitos ajudavam inclusive a procurar estágios, apresentavam alunos para outras pessoas que pudessem ajudar com seus projetos pessoais… E se dispunham até a dar aulas extras para alunos que encontravam dificuldades nas matérias.

 

– Voltando ao Brasil, no que o curso refletiu no seu currículo?
Eu acredito muito que comunicação, num geral, tem muito em comum com marketing e os dois cursos que fiz se complementam. Brinco que jornalismo é uma coisa mais romântica, enquanto o marketing coloca os pés mais no chão e lembra que é ganhar dinheiro que paga as contas, rs.

 

– Que tipo de dica/recomendação/conselho você dá para quem quer fazer a mesma coisa que você fez?

Fiz intercâmbio com 23 anos e acho que foi a idade certa pra isso. Com mais responsabilidade, pé no chão e com um objetivo final. Eu tive a ajuda dos meus pais, tanto financeiramente como emocionalmente (deixei meu filho, de 6 anos na época, com eles), o que foi fundamental pra mim. É importante ter um preparo emocional para enfrentar o que vier, sabe? Chegando lá, se faz muitos amigos, mas na hora do “vamo ver”, você se encontra sozinho e tem que aprender a lidar com isso.

– Após a experiência, você pensou na possibilidade de se mudar para os EUA? Por que?
Eu amo o Brasil e foi o EUA que me ensinou o quanto gosto do meu país, rs. No EUA, descobri que gostava de brasilidades que nem imaginava, tipo doce de leite, paçoca e feijão preto. Apesar disso, às vezes ainda penso em ir embora e o quesito segurança e educação é o que mais pesa. Claro que estamos sujeitos a tudo em todos os lugares do mundo e que os problemas do Brasil também existem fora dele. Mas eu, que nunca tinha saído do país, me senti segura pela primeira vez. Às vezes penso em me mudar, mas ainda não senti aquela vontade louca, sabe? Por enquanto, quero voltar para NY, para estudar de novo, por um período mais curto. Mas a gente nunca sabe o que pode acontecer, né? =)
Fazendo “feijoada” e caipirinha num domingo de sol
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De volta ao Brasil, o abraço do meu filho assim que cheguei
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Eu adorei o post! E vocês? Quem tiver dúvidas e quiser deixar perguntas aqui no post, a Ana terá o maior prazer em responder. E para quem quiser saber um pouquinho mais da Ana Sasso, segue o link do blog dela: http://anasasso.wordpress.com/

Até mais!

 

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