Disseram Que Eu Voltei Americanizada!

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Olá Pessoal!

Pois é! Essa famosa frase que deu nome a uma das músicas da Carmen Miranda virou “doce” na boca de algumas pessoas quando me encontram e tomam conhecimento que estou morando nos EUA.

Eu particularmente não me sinto ofendida de maneira nenhuma. O que eu não consigo entender é a razão de algumas pessoas acharem que por eu estar morando nos EUA e ter me ADAPTADO aos costumes do país…que eu acabei PERDENDO os meus de BRASILEIRA. Pelo menos para mim, isso não funciona assim.

Não piso no Brasil desde 2012. Não porque não queira, mas é porque não dá. Preciso trabalhar aqui para poder realizar alguns projetos (que já estão se tornando realidade) e o meu visto O-3 é um SACO para renovar, além de ser caro (mais de R$500.00 reais).

Infelizmente, tem sim alguns hábitos americanos do qual eu já me acostumei e que acho muito estranho (não sei se é exatamente essa a palavra) e sinto sim a diferença quando vou ao Brasil. Mas gente, PELOAMORDEDEUS, isso não significa que eu me acho melhor ou pior do que algumas pessoas, mas esta é uma forma DIFERENTE de ver o mundo e ela deve ser respeitada.

Aqui vão algumas coisas que, para mim, já fazem MUITA diferença:

  • JOGAR PAPEL HIGIÊNICO NA PRIVADA: eu sofro muito com isso lá no Brasil. TODAS AS VEZES que fico na minha mãe eu acabo entupindo o vaso sanitário do banheiro dela. Não faço isso por mal, mas é que eu já me acostumei.
  • FAZER UM PAGAMENTO E ESPERAR AS MOEDAS DE TROCO: devo confessar que esta questão me atinge muito. Não é questão de ser avarenta, mas sim porque isto fere o meu direito de cidadã de ter o meu dinheiro de volta. Não vou mentir que SEMPRE faço escândalo (principalmente no supermercado) quando não me devolvem o troco. Quando a caixa vem falar algo do tipo: nossa, está reclamando por causa disso. Sim, é o MEU DIREITO. Eu SEMPRE pego mais dinheiro do que deveria (me deviam 1 ou 2 centavos e me dão 5 ou 10). Eu sempre fico na esperança de que as pessoas mudem em relação a isso, mas parece que já é algo cultural 😦
  • RESPEITAR O ESPAÇO ALHEIO: nossa, como o brasileiro é espaçoso, né? Aqui quando falo de espaço, é em referência ao espaço físico e psicológico 🙂 Aqui não tem essa de sair beijando alguém que você acabou de conhecer e nem de sair fazendo perguntas pessoais. Outro dia, fui ajudar um brasileiro a comprar um metrocard e ele ficou me tocando no ombro umas 3 vezes. Nossa, parecia que dava choque…rs. É sério isso!
  • SER DIRETA NAS COISAS: eu sempre escuto falarem que “americano é frio” e para mim, não é que eles são frios, mas eles são muito diretos. Sabe aquela história de encher linguiça na hora de falar. Aqui não rola. Se você quer pedir algo, PEÇA. Não fique: “olha, eu não queria ficar incomodando você, mas eu comprei um secador no mês passado e apesar de ele ser ótimo, eu estava considerando se ele seria uma opção para trazer na viagem. Aí pensei: ‘nossa, andar com esse trambolho e depois ter que colocá-lo na mala que já voltará lotada de compras seria ruim. Você acha que seria possível, por apenas alguns minutos, emprestar-me o seu secador? Olha, isso só se puder. Se não puder, tudo bem’. UFA! Não seria muito mais fácil: “por favor, me empresta o seu secador?”. Já aconteceu de hóspede nosso começar a falar e a gente dizer: “você quer q eu empreste tal coisa?”, não deixando nem a pessoa terminar de falar. Aquela frase “TIME IS MONEY” é levada muito a sério aqui. Esta semana eu mandei mensagem para uma amiga pedindo para ela me ligar. Como ela não me ligou (a msg foi na noite passada), eu resolvi ligar. Ela disse: “nossa, acabei de chegar em casa. Li sua mensagem e acabei esquecendo de ligar”. Ok! Isso acontece, somos humanos. Ela está cheia de trabalho. Não me ofendeu em nada. Eu disse OK e continuamos conversando. No Brasil, se a pessoa lê a msg no whatsapp e não te responde NA HORA, o drama decorrente disso é algo impressionante. Não estou querendo generalizar, mas vamos combinar que COM CERTEZA você conhece pelo menos um par de amigos que são assim, né? Outro exemplo: se eu te convidar para o meu aniversário e disser que você não pode trazer marido/namorado/amigo(a), etc, IT’S OK! NO DRAMAS! (nem para quem está sendo convidado e nem para o possível acompanhante). Eu realmente gosto dessa liberdade de poder dizer (claro que sempre COM EDUCAÇÃO) o que estou pensando/sentindo sem medo de ocasionar um enredo de novela mexicana.
  • PONTUALIDADE: gente, isso é algo bem sério aqui. 9:00 é 9:00. As festas aqui tem hora para começar e acabar. Se você marcar 5:00 é 5:00 e não 8:00. Acho que isso é uma questão de respeito. No Brasil, você chegar NA HORA MARCADA em um aniversário é FEIO. Ninguém quer ser o primeiro a chegar. Aqui não! Essa questão de horário é levada bem a sério. E eu particularmente gosto disso, principalmente quando eu tenho que ir ao médico ou ao dentista 😉
  • TER OS DIREITOS GARANTIDOS: eu simplesmente AMO a liberdade de poder comprar um produto e ter o DIREITO de devolvê-lo caso eu queira. Salvo algumas exceções, quando o vendedor já especifica que NÃO É PERMITIDA A DEVOLUÇÃO, eu SEMPRE poderei devolver. Tudo depende da loja: algumas dão 1 semana, 15, 45 dias e outras, como a Macy’s, dão DOIS ANOS para você trocar/devolver o produto. Acho isso o MÁXIMO! E o melhor: não preciso ficar contando uma longa história e nem respondendo a MIL PERGUNTAS do vendendor e, ficando, muitas vezes com a sensação de que você está fazendo algo errado (pelo menos era assim que eu me sentia quando tentava retornar algum produto). Aqui você pode devolver e não te perguntarem nada, perguntarem qual a forma de pagamento (para saber como você pagou – dinheiro, cartão) e, quando te perguntam o motivo da devolução, é simplesmente porque podem te ajudar a escolher outra coisa que lhe agrade (isso já vi acontecer na MACY’S). Em nenhum momento você fica com a sensação de que ESTÁ FAZENDO ALGO ERRADO.
  • SEGURANÇA: sério, não consigo mais imaginar a minha vida com os flanelinhas, o medo de ser assaltada no sinal de trânsito, não poder parar direito o carro na frente de casa para abrir o portão. NÃO CONSIGO! Essa questão de segurança é algo que pesou muito na minha decisão de vir para cá. Aqui, vou ao supermercado a pé com o meu filho às 22:00, fico sentada na porta do meu prédio no verão até a 1:00 da manhã, não tem flanelinha e nem assalto no sinal. A vida é realmente bem mais tranquila. Quando vou andar de carro no Brasil, fico tão tensa com todas as possibilidades que já pensei seriamente se algum dia eu não terei um ataque cardíaco em frente ao volante. Acho que se as leis no Brasil fossem mais rigorosas e REALMENTE fossem cumpridas, todos teriam essa sensação que temos aqui. Aqui a lei funciona!

Claro que ainda existem mais alguns pontos a serem discutidos, mas acho que estes são os mais importantes para mim.

Recentemente, um amigo meu veio a NY e estávamos conversando exatamente sobre estas questões. Ele me disse que o brasileiro, para poder lidar com tudo isso, acaba ficando um tanto anestesiado. E eu acredito que é isso mesmo: é preciso lidar com todas estas questões e, se ficar paranóico como eu fico ( 🙂 ), ninguém vive 😉

Eu sempre falo para os nossos hóspedes: “por favor, caso haja algum problema, seja direto e fale comigo. Eu farei o mesmo com você”. Afinal, não temos bola de cristal e nem lemos a mente. Muitas vezes, a gente acaba fazendo/falando coisas que não são por mal, mas podem ser mal interpretadas 😉

É…lendo esse post, parece que realmente estou americanizada…rs

Ah, e para quem não conhece a música que foi título do post, segue aqui o link com a letra e o vídeo da Carminha 🙂 http://letras.mus.br/carmen-miranda/185585/

Vejo vocês no próximo post! Byeeeeeeeee

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